quarta-feira, 2 de março de 2011

Os "intocáveis" assassinam a seu belprazer!

Enquanto fazem declarações inflamadas, pela democracia e defesa dos direitos humanos, os Estados Unidos com a colaboração da Europa (NATO) continua a assassinar milhares de seres humanos, que agora se chamam de danos colaterais, sem que a ONU expulse essa nação em mãos de criminosos e países coniventes do seio dos países civilizados e que de facto defendem os direitos humanos.

"O ano passado marcou a maior quantidade de mortes dos EUA e da ISAF na guerra que está agora no seu décimo primeiro ano civil, bem como a tropa do governo afegão e polícia, o maior número de mortes relatadas de insurgentes e a maioria dos civis mortos nesta década de guerra. 712 soldados estrangeiros e quase 10 mil afegãos foram mortos em 2010.

Não só no Afeganistão, mas também no Paquistão os EUA mataram mais de 2.000 pessoas, com mísseis teleguiados no Norte e Waziristão do Sul, mas nos últimos cinco meses NATO matou vários militares paquistaneses, estendendo-se a guerra em uma nação com uma população de 170 milhões e armas nucleares.

Enquanto a maioria das atenções do mundo se concentra em eventos no Norte de África, o Ocidente está em constante e inexoravelmente intensificando a mais longa guerra, o maior e mais letal do planeta.

(in Global Research, March 1, 2011)

Basta de hipocrisia!
Todos os criminosos de guerra devem ser levados ao Tribunal Internacional dos Direitos do Homem...
Mas todos!
(Obama, Bush, Sarkozy, Berlusconi e restante quadrilha de criminosos)

terça-feira, 1 de março de 2011

Cultura, Missão Coração adentro.


Grupo de crianças dos bairros abre cerimonia de entrega dos "canudos" aos finalistas da Universidade de Cultura Popular.
Um país onde 82% da população diz em inquéritos, que se sente feliz!
Só visto !!!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A Líbia e o imperialismo

por Workers World

Mapa da Líbia. De todas as lutas que agora decorrem no Norte de África e no Médio Oriente, a mais difícil de deslindar é aquela na Líbia.

Qual é o carácter da oposição ao regime Kadafi, a qual consta que agora controla a cidade de Bengazi, no Leste do país?

Será apenas coincidência que a rebelião tenha começado em Bengazi, a qual é a norte dos mais ricos campos petrolíferos da Líbia bem como próxima da maior parte dos seus oleodutos e gasodutos, refinarias e o seu porto de gás natural liquefeito (GNL)? Haverá um plano de partição do país?

Qual é o risco de intervenção militar imperialista, a qual apresenta grave perigo para o povo de toda a região?

A Líbia não é como o Egipto. Seu líder, Moamar Kadafi, não tem sido um fantoche imperialista como Hosni Mubarak. Durante muitos anos, Kadafi esteve aliado a países e movimentos que combatiam o imperialismo. Ao tomar o poder em 1969 através de um golpe militar, ele nacionalizou o petróleo da Líbia e utilizou grande parte do dinheiro para desenvolver a economia líbia. As condições de vida do povo melhoraram radicalmente.

Por isso, os imperialistas estavam determinados a deitar a Líbia abaixo. Os EUA em 1986 realmente lançaram ataques aéreos a Trípoli e Bengazi que mataram 60 pessoas, incluindo a menina filha de Kadafi – o que raramente é mencionado pelos media corporativos. Foram impostas sanções devastadoras tanto pelos EUA como pela ONU a fim de arruinar a economia líbia.

Depois de os EUA invadirem o Iraque em 2003 e arrasarem grande parte de Bagdad com uma campanha de bombardeamento que o Pentágono exultantemente chamou "pavor e choque", Kadafi tentou evitar a ameaça de outra agressão à Líbia fazendo grandes concessões políticas e económicas ao imperialismo. Ele abriu a economia a bancos e corporações estrangeiras; concordou com exigências do FMI quanto ao "ajustamento estrutural", privatizando muitas empresas estatais e cortando subsídios do estado a necessidades como alimentos e combustível.

O povo líbio está a sofrer dos mesmos preços elevados e desemprego que estão na base das rebeliões em outros lados e que decorre da crise económica capitalista mundial.

Não pode haver dúvida de que a luta que varre o mundo árabe pela liberdade política e a justiça económica também tocou um ponto sensível na Líbia. Não há dúvida de que o descontentamento com o regime Kadafi está a motivar uma secção significativa da população.

Contudo, é importante para gente progressista saber que muitas das pessoas que estão a ser promovidas no Ocidente como líderes da oposição são há muito agente do imperialismo. A BBC mostrou em 22 de Fevereiro filmes de multidões em Bengazi deitando abaixo a bandeira verde da república e substituindo-a pela bandeira do antigo rei Idris – que foi um fantoche dos EUA e do imperialismo britânico.

Os media ocidentais baseiam grande parte das suas reportagens sobre supostos factos fornecidos pelos grupo exilado Frente Nacional para a Salvação da Líbia (National Front for the Salvation of Libya), a qual foi treinada e financiada pela CIA estado-unidense. Pesquise no Google o nome da frente mais CIA e encontrará centenas de referências.

O Wall Street Journal de 23 de Fevereiro escreveu em editorial que "Os EUA e a Europa deveriam ajudar os líbios a derrubarem o regime Kadafi". Não há qualquer conversa nas salas das administrações ou nos corredores de Washington acerca de intervir para ajudar o povo do Kuwait ou da Arábia Saudita ou do Bahrain a derrubarem seus governantes ditatoriais. Mesmo com todos os falsos elogios às lutas de massas que agora sacodem a região, isso seria impensável. Em relação ao Egipto e à Tunísia, o imperialismo está a mover todas as alavancas que podem para tirar as massas das ruas.

Tão pouco houve qualquer conversa de intervenção dos EUA para ajudar o povo palestino de Gaza quando milhares morreram por serem bloqueados, bombardeados e invadidos por Israel. Exactamente o oposto. Os EUA intervieram para impedir a condenação do estado colonizador sionista.

O interesse do imperialismo na Líbia não é difícil de descobrir. Em 22 de Fevereiro a Bloomberg.com escreveu: se bem que a Líbia seja o terceiro maior produtor de petróleo da África, é o país do continente que tem as maiores reservas provadas — 44,3 mil milhões de barris. É um país com uma população relativamente pequena mas com potencial para produzir enormes lucros para as companhias de petróleo gigantes. É assim que os super ricos a encaram e é o que está por trás da sua apregoada preocupação com os direitos democráticos do povo da Líbia.

Obterem concessões de Kadafi não é suficiente para os barões imperialistas do petróleo. Eles querem um governo sob a sua dominação total, tudo do bom e do melhor. Eles nunca esqueceram que Kadafi derrubou a monarquia e nacionalizou o petróleo. Fidel Castro, em Cuba, na sua coluna "Reflexões" regista o apetite do imperialismo por petróleo e adverte que os EUA estão a lançar as bases para a intervenção militar na Líbia.

Nos EUA, algumas forças tentam mobilizar uma campanha a nível de rua promovendo uma intervenção estado-unidense. Deveríamos opor-nos a isto totalmente e recordar a qualquer pessoa bem intencionada os milhões de mortos e deslocados pela intervenção dos EUA no Iraque.

As pessoas progressistas têm simpatia com o que encaram como um movimento popular na Líbia. Podemos ajudar tal movimento principalmente pelo apoio às suas exigências justas mas rejeitando uma intervenção imperialista, seja qual for a forma que assuma. É o povo da Líbia que deve decidir o seu futuro.

Articles copyright 1995-2011 Workers World. Verbatim copying and distribution of this entire article is permitted in any medium without royalty provided this notice is preserved.


  • Ver também: Faut-il intervenir militairement en Libye ? , de Alain Gresh

    O original encontra-se em http://www.workers.org/2011/editorials/libya_0303/


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • sábado, 26 de fevereiro de 2011

    Uma questão estratégica...

    Napoleon Bonapart, independente do que cada um pode pensar das suas acções de ocupação da europa e da tentativa de estabelecer um império, é reconhecido como um grande estratega militar por todos os historiadores.

    Tal é o reconhecimento dessa sua qualidade, que durante muitos anos as suas estratégias foram ensinadas nas melhores escolas de gestão do mundo.

    Uma das suas estratégias mais conhecidas era a disposição das suas tropas no campo de batalha, o que lhe permitiu vencer várias batalhas mesmo em inferioridade numérica. Tal estratégia consistia em dispôr as suas tropas na configuração de um quadrado, aberto de um dos lados...assim dispunha uma frente com a infantaria e as alas com a cavalaria, encerrando os exércitos adversários nessa armadilha que normalmente saía vencedora.

    Reza a história que numa dessas batalhas, quando o adversário já estava derrotado, um dos seus generais, Lafayete, aconselhou-o a fechar o quadrado, por forma a esmagar o inimigo.

    A esta proposta, segundo os historiadores, Napoleon terá respondido: Nem pensar! Isso poderia ser um grande erro!

    E explicando, esclareceu: Nunca deves encostar o adversário contra a parede. Agora estão derrotados fugirão sem vontade de voltar á batalha, se não lhes dás possibilidade de escape, não sabes do que serão capazes.

    Quando as pessoas não têm mais nada que perder, serão capazes de tudo.

    Esta situação é a que ocorre actualmente em muitos países e ameaça espalhar-se por todo o mundo.Os estupidos neoliberais, vendo a maioria da população derrotada, esmagada pelos seus roubos infames, continua a apertar a corda, roubaram os nossos salários, querem roubar o pouco de serviços sociais que ainda dispomos, agora até estão a roubar o pão que pomos na mesa (especulando com os alimentos).

    Até quando as pessoas vão aguentar?

    Como dizia Emilio Gabaglia, presidente da CES, numa conferência internacional, a que tive oportunidade de assistir, frente aos representantes do grande capital :

    Continuem a puxar a corda, que vai ser com ela que se vão enforcar!


    Já esteve mais longe...

    quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

    CUIDADO! As quadrilhas de assaltantes, já não precisam armas para realizar os seus roubos!

    Como a GALP conseguiu que os seus lucros disparassem
  • 611 milhões de euros em 2010
  • A GALP acaba de divulgar o seu Relatório do 4º Trimestre de 2010. E como era previsível os lucros deste grupo económico, que domina mais de 50% do mercado de combustíveis em Portugal (as vendas da GALP em 2010 atingiram 14.064 milhões €, sendo 89% de combustíveis), dispararam tendo atingido, em 2010, 611 milhões € antes de impostos, ou seja, mais 35,5% do que em 2009. Este aumento tão grande dos lucros resultou da conjugação de três factos.

    Em primeiro lugar, dos elevados lucros do chamado "efeito stock" que resultam desta empresa ter adquirido o petróleo que consumiu na produção de combustíveis a um preço inferior àquele que depois facturou aos consumidores. Desta forma obteve, em 2010, 156 milhões € de lucros brutos. No conjunto dos dois anos (2009 e 2010), estes lucros especulativos, pois não resultam de qualquer actividade produtiva da empresa, atingiram 317 milhões €. Por outras palavras, a GALP tem obtido também elevados lucros com os preços especulativos do petróleo no mercado internacional à custa dos consumidores, perante a passividade do governo e da AdC.

    Em segundo lugar, o aumento significativo dos lucros da GALP em 2010 deve-se ao facto da margem de refinação ter aumentado, entre 2009 e 2010, em 80,6%, pois passou de 1,5 dólares para 2,6 dólares por barril de petróleo como confessa a própria empresa na pág. 22 do Relatório do 4º Trimestre de 2010. Como não existe qualquer controlo por parte quer do governo quer da Autoridade da Concorrência dos preços até à saída da refinaria, a GALP faz o que quer.

    Finalmente, a juntar à anterior, uma outra razão para os elevados lucros obtidos pela GALP em 2010, foi o facto de os preços dos combustíveis sem impostos em Portugal terem sido superiores, em todos os meses de 2010, aos preços médios da União Europeia. E foram superiores, em média, na gasolina 95 em +4,4% (+0,023€/litro) e no gasóleo em +6,7% (+0,037€/litro). Se a análise for feita por países, conclui-se que, também em todos os meses, e em relação à gasolina 95, o preço sem impostos em Portugal foi superior, em média, ao de 22 dos 27 países da União Europeia e, relativamente ao gasóleo, foi superior a 23 dos 27 países da União Europeia, sendo a diferença, em relação a muitos países, ainda maior do que a referida. Tendo em conta que o consumo da gasolina 95 em Portugal em 2010 deverá ter rondado os 1.900 milhões de litros, e o de gasóleo os 7.700 milhões de litros, a diferença de preços relativamente ao preço médio da União Europeia deverá ter dado às empresas em Portugal um lucro extraordinário que estimamos em mais de 260 milhões €.

    E não se pode afirmar como fazem as petrolíferas e os seus defensores nos media que a razão principal dos elevados preços de venda ao publico dos combustíveis em Portugal é a carga fiscal. Como revelam os dados da Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, em Novembro de 2010, por ex., em relação ao gasóleo, a carga fiscal representava 48,2% do preço de venda ao público, enquanto a média na União Europeia era 50,1%, portanto superior à vigente em Portugal, Em relação à gasolina 95, é que a situação era inversa: a carga fiscal em Portugal representava 59,6% do preço de venda ao público enquanto a média na UE27 correspondia a 57,2%. No entanto, embora a carga fiscal que incide sobre o gasóleo em Portugal fosse inferior à média da União Europeia, era precisamente neste combustível que a diferença de preços entre Portugal e a media da UE27 era maior. Em Novembro de 2010, o preço do gasóleo sem impostos em Portugal era superior ao preço médio da União Europeia em 5,4%, enquanto o da gasolina era superior em 3,3%. E compreende-se facilmente a razão. È que as vendas de gasolina 95 em 2010 foram apenas de 1.900 milhões de litros, e as de gasóleo de 5.900 milhões de litros, ou seja, três vezes mais, portanto é o gasóleo, e não a gasolina, a principal fonte de lucros para as petrolíferas.

    Os lucros da GALP em 2010, apesar de ser um ano de grave crise para o País e de grandes dificuldades para os portugueses, dispararam. Como mostra o quadro 1, construído com os dados do Relatório do 4ºTrimestre de 2010 da empresa, entre 2009 e 2010, os resultados antes do pagamento de impostos aumentaram em 35,5% pois passaram de 451 milhões € para 611 milhões €, e os resultados líquidos, portanto depois de deduzidos os impostos, cresceram em 23,2% pois subiram de 379 milhões € para 467 milhões €. E tenha presente, que os principais accionistas da GALP são os italianos da ENI, e Américo Amorim e os angolanos da Amorim Energia (no conjunto detêm 66% do capital da GALP) e não pagam qualquer imposto em Portugal pelos dividendos que recebem (artº 14º do Código IRC). Outro aspecto importante revelado pelo quadro 1, são os elevados lucros resultantes do "efeito stock" que tem como origem a diferença entre o preço a que a empresa comprou o petróleo no mercado internacional, e o preço que depois é considerado no cálculo do preço de venda dos combustíveis. Este último preço é superior ao preço de aquisição, gerando para a GALP um lucro que consideramos especulativo pois não resulta de qualquer actividade produtiva da empresa. Em 2010 os lucros obtidos desta forma pela GALP atingiram 156 milhões €, e, no conjunto de 2009 e 2010, 317 milhões €.

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

    segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

    EUA TRAFICAM ARMAS E DROGAS PARA A ARGENTINA.

    N.R. - Que razão levará os Estados Unidos a traficar armas e drogas para um país soberano?

    Os EUA tentaram intruduzir na Argentina, uma carga não declarada de armas e drogas médicas expiradas, o que foi apreendido pelas autoridades do país sul-americano no aeroporto internacional de Ezeiza, na província de Buenos Aires, onde chegou a bordo de uma aeronave Boeing C-17 da Força Aérea dos E.U.A.

    Parte das armas iria para um curso oferecido pelos E.U.A. ao Governo argentino para o Painel de Operações Especiais da Polícia Federal da Argentina, que estava programada para ocorrer entre os meses de Fevereiro e Março, de acordo com a informação do site do jornal Página 12.

    No entanto, quando a revisão da documentação foi aplicada á carga, as autoridades argentinas verifiaram que a bordo do C-17 estavam carabinas e metralhadoras e uma mala selada, que não foram incluídos na lista de materiais que os Estados Unidos ofereceram para a conclusão do curso de polícia Argentina.

    Os militares dos EUA que ocupavam a aeronave recusavam abrir a mala, disse a inspecção, enquanto o governo argentino insistia em que tinha revisar o conteúdo desta mala antes de entrar no território argentino.

    Após vários dias de disputa, a mala foi aberta no último domingo de manhã por funcionários argentinos, que encontraram drogas dentro, equipamentos de transmissão, os dispositivos do computador de armazenamento em massa (pen drives) e dispositivos de encriptação.

    Depois de encontrar as armas as malas foram apreendidas na segunda-feira para a continuação do processo de verificação.

    Autoridades dos EUA responsáveis pela transferência de carga tentaram entrar clandestinamente no território da nação sul-americana mil metros cúbicos de material, o equivalente a um terço do avião de carga que chegou depois de parar no Panamá e Peru.

    As caixas tinham o carimbo da Sétima Brigada Aerotransportada do Exército com sede na Carolina do Norte

    Em comunicado, a Argentina, serviço de Estrangeiros recordou que, em agosto de 2010, o E.U.A. Força Aérea tentaram entrar com outras armas e fugir ao controle aduaneiro da Argentina, por isso foi convocado o Embaixador dos E.U.A. em Buenos Aires para o informar que neste país existe legislação para cumprir.

    No entanto, o gabinete do chanceler Héctor Timerman disse que na quinta-feira 10 de fevereiro depois de um C-17 EUA aeronave aterrissou em Ezeiza, cuja carga foi controlada "com a seriedade e profissionalismo que merece ser feito com material de guerra."

    "Depois de baixar o material foi levado para a inspeção e constatou-se que grande parte da carga não estava na lista de« boa fé », fornecida pela Embaixada. As auturidades aduaneiras informaram que o material entrado ilegalmente e foi apreendido e ele tentou entrar em violação das leis ", acrescentou o comunicado.

    (in teleSUR-Página12/MFD - tradução automática)

    sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

    O "democrata" apoiado pelos estados unidos e europa, caiu finalmente!

    Mubarak já não é Presidente do Egipto

    Ao 18.º dia o faraó caiu

    A mensagem durou pouco mais de 20 segundos e pôs fim a 30 anos de poder de Hosni Mubarak, o faraó do Egipto. Ao fim de 18 dias de protestos, o regime cedeu, depois de na véspera Mubarak ter dado o seu último estertor.
    O dia mais bonito para milhões de egípcios
    O dia mais bonito para milhões de egípcios (Dylan Martinez/REUTERS/)

    A fúria de quinta-feira, dia em que Mubarak falou aos egípcios para dizer que não ia abandonar o seu cargo, apesar de anunciar uma série de cedências, foi substituída por uma explosão de alegria em todo o Egipto.

    Nas ruas do Cairo, Alexandria, Suez e de muitas outras cidades egípcias já estavam milhões de pessoas que depois das orações começaram a desfilar, voltando a gritar “Vai-te! Vai-te!”.

    Milhares juntaram-se à frente do Palácio Presidencial, mais milhares à porta do edifício da televisão estatal. Os militares que protegiam ambas as instalações mantiveram as suas posições, sem hostilizar os manifestantes. Há mesmo notícias de confraternização e gestos de solidariedade para com aqueles que gritavam “Nem Mubarak, nem Suleiman!”.

    No país circulava a notícia de que Mubarak e a família tinham abandonado a capital e viajado para Sharm el-Sheikh, a estância turística do Mar Vermelho. Muitos pressentem “um bom sinal”. Pouco depois a televisão estatal anuncia para breve um “comunicado importante e urgente” da presidência egípcia.

    E o comunicado surge ao cair da noite no Cairo: “Em nome de Deus, o misericordioso, cidadãos, durante as difíceis circunstâncias que o Egipto atravessa, o Presidente Hosni Mubarak decidiu deixar o cargo de Presidente e encarregou o Conselho Supremo das Forças Armadas de administrar o país. Que Deus ajude toda a gente”, afirmou o vice-presidente, Omar Suleiman, na curta declaração transmitida na televisão estatal.

    O país explode de alegria. Na praça Tahrir, filmada em directo pelas televisões, o barulho da vitória é ensurdecedor. “No Cairo, os condutores estão a buzinar, há disparos de tiros para o ar”, contou o correspondente da BBC Jon Leyne na capital egípcia. Havia pessoas aos saltos: “Temos um ex-Presidente!”, gritam. “Conseguimos!”.

    “Este é o melhor dia da minha vida”, reage o opositor Mohamed ElBaradei. “O país foi libertado depois de décadas de repressão”. Agora, o Nobel da Paz espera uma “bonita” transição de poder.

    Por seu lado, a Irmandade Muçulmana saúda o “grande povo do Egipto e o seu combate”. Issam el-Aryan, porta-voz da maior força da oposição, banida mas tolerada no regime de Mubarak, disse que a Irmandade “celebra o momento e segue o caminho”.

    “Consenso nacional” – é este o apelo de Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe e ex-ministro egípcio dos Negócios Estrangeiros, face à “mudança histórica” trazida com a renúncia do Presidente Hosni Mubarak. Moussa surgiu nesta revolução como uma das figuras que poderá assegurar a liderança de um eventual governo de transição e não descartou a possibilidade de ser candidato à presidência.

    Em comunicado, o Exército diz que vai anunciar medidas para uma fase de transição após a queda do Presidente demissionário. Depois de “saudar os mártires” que morreram na revolução, os militares garantem não se vão substituir à “legitimidade desejada pelo povo”.

    O Conselho Superior das Forças Armadas declara, no comunicado, que o Exército vai “definir os passos que vão ser seguidos”, sublinhando ao mesmo tempo que não há outro caminho em frente para além do legítimo “a que as pessoas aspiram”.

    “O comunicado militar é óptimo”, escreve no Twitter Wael Ghonim, o executivo da Google que se tornou uma figura-chave dos protestos. “Confio no nosso Exército.”

    O ministro da Defesa saúda a multidão em frente ao palácio presidencial no Cairo. Mohamed Hussein Tantawi é, segundo fonte militar, o chefe do Conselho Superior das Forças Armadas, a quem Mubarak passou o poder. De Suleiman e de outras figuras do Partido Nacional Democrático não há sinal.

    Mubarak partiu, mas durante a noite eram muitos os analistas que faziam a mesma pergunta: e os militares, também vão largar o poder que controlam há quase 60 anos?

    Na rua, a festa continuou.

    (in Publico 11/02/2011)