sábado, 29 de janeiro de 2011

A sul da Fronteira - Oliver Stone


Oliver Stone estudou nas universidades de Yale e de Nova Iorque. Ganhou dois Oscar de melhor diretor com os filmes Platoon (serviu na guerra do Vietnãm, onde ganhou a "Estrela de Bronze de Honra ao Mérito") e Born on the Fourth of July (Nascido em quatro de julho).

O filme JFK foi incluído em quinto lugar na lista dos 25 filmes mais controversos de todos os tempos, feita pela Entertainment Weekly, em 16 de junho 2006.

Um documentário feito e relatado por Oliver Stone sobre o desenvolvimento da democracia na america latina. A visão de um americano do norte sobre o actual desenvolvimento da america latina, entrevistando os seus protagonistas.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Um exemplo de soberania...

Quando os governantes não estão vendidos aos bancos, quando os goverantes não estão á espera depois de sairem do governo de uns tachos numa qualquer administração...ou alguma construtora...

Fazem leis para defender os mais fracos e fazem-nas cumprir. Não como por cá, onde nos fazem pagar, a nós que trabalhamos os roubos que os banqueiros e seus amigos fizeram, e os bancos continuam a fazer, cobrando-nos todo o tipo de taxas. Este é um exemplo de um governo que sabe quem os elegeu e ao serviço de quem estão!
Claro que para os nossos governantes e demais comandita que vive á custa do nosso trabalho, o unico que sabe é roubar-nos o pouco que já temos, estes são ditadores...

Imagino o que pensará aquele ex-ministro que nunca tendo trabalhado, saiu do governo para presidente da maior construtora nacional...claro que essa construtora ganha fácil todas os concursos que lhe interessam...alguns sem concurso mesmo...enfim, como aqui, ao contrário do país onde governa este presidente, não há verdadeira democracia, não vou dar o nome exacto que todos sabemos que se dá a quem rouba...

Nota: Este banco Provincial é propriedade do BBVA, que como se devem recordar, a sua administração foi condenada em Espanha por vários crimes...penas? estão suspensos de exercer a actividade de banqueiros...
A justiça é uma coisa justissima, a partir de agora, lá como cá, os ladrões vão ficar suspensos de fazer mais roubos...

(N.R.) O caso aqui, é que , segundo a informação venezuelana, cerca de 100.000 familias foram burladas por imobiliárias/construtores com o suporte dos bancos, pagando num sistema de cotização, as casas que nunca receberam...razão deste plenário do presidente com os representantes dos lesados e da sua imediata reacção, face ao que lhe estava a ser exposto.

É como cá, não é? ...Pois, mas lá é uma ditadura dos pobres e classe média, por cá somos democráticos, para os grandes e ditadores para os pequenos...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Preparando a próxima guerra americana.

Você pode pensar que os EUA já estão em guerra com a China, dada a imensa quantidade de informação anti-Chinesa jorrando retórica do governo e dos média.

Mas vender guerras leva tempo. O americano médio não comprou ainda esta publicidade falsa. Assim, a grande mentira será repetida até que suas raízes estejam profundamente enterradas na psique americana: China, diz governo o dos EUA, é uma ameaça que precisa ser "tratada".

Este assalto da propaganda é multifacetada, tendo como objectivo atacar em todas as direções. Qualquer questão relacionada com a China - militar, econômica e social - está aberta para o ataque. Por exemplo, o chefe do Departamento de Defesa dos EUA, Robert Gates, visitou recentemente a Ásia e concentrou grande parte de sua viagem falando sobre a China como uma
"Ameaça militar".

Qual é essa ameaça?

Gates responde que a China tem mostrado um "rápido aumento da capacidade militar", comprovada por sua produção de um "caça stealth". A mídia dos EUA teve um dia de campo com esta notícia, a intenção de semear o terror na psique do público americano.

Um rápido olhar sobre os números revelam que o Sr. Gates e dos média dos EUA são hipócritas : China está longe de ser os EUA quando se trata de gastos militares: (!) Os EUA, sob Obama, vai gastar 725 biliões de dólares em 2011, enquanto China gastará US $ 80 bilhões.

Quando se trata de bases militares no exterior, a China tem zero, os EUA tem pelo menos 737!

(extrato de artigo publicado em http://www.globalresearch.ca )

Depois da guerra fria, de levar a guerra ao espaço, de matar milhões de seres humanos no médio oriente, oa EUA, levam a guerra á Internet..

O Comando Sul dos Estados Unidos mantém um portal na Internet para a guerra da informação do Exército norte-americano na América Latina, com aspecto semelhante aos que o Pentágono administra noutras regiões onde interveio militarmente.

Dialogo, com endereço http://www.dialogo-americas.com/, publica-se em três línguas, inglês, espanhol e português, com informações sobre a actualidade e reportagens especiais dedicadas à América Latina na perspectiva do Exército dos Estados Unidos.

Na página inicial, há um inquérito que convida os leitores da região a definir “qual o maior problema do seu país actualmente”, devendo estes marcar uma das seguintes opções: «Desemprego, Crime/Segurança Pública, Problemas Económicos, Problemas de Saúde, Terrorismo/Tráfico de Drogas e Problemas Políticos/Corrupção».

Inquérito da página inicial do sítio do Comando Sul para a América Latina.

Estranho diálogo o proposto por este sítio, pressupondo que todos os países do continente têm pelo menos um problema dos que aparecem na lista e que serviram de pretexto para as intervenções militares do Exército norte-americano na região.

“Diálogo é uma revista militar profissional publicada trimestralmente pelo Comandante do Comando Sul dos Estados Unidos como fórum internacional para o pessoal militar da América Latina”, afirma a nota de apresentação do sítio web, acrescentando que «o Secretário da Defesa determinou que a publicação desta revista é necessária para levar a cabo a actividade pública
que a lei do Departamento da Defesa exige».

Não é invulgar este tipo de portal na Internet, para acompanhar as guerras de informação e as operações de acção psicológica do exército dos Estados Unidos. Desde finais da década de 90, o Departamento da Defesa intervém em áreas cuja competência correspondia dantes aos ministérios “civis” encarregados da propaganda.

De acordo com uma análise publicada a 30 de Novembro de 2005 pelo Los Angeles Times, o Exército activou em todo o mundo «centros de operações de imprensa que funcionam durante 24 horas por dia», situando pela primeira vez «a Internet e outros meios de informação não tradicionais» sob a competência de peritos do Pentágono e das agências de espionagem norte-americanas.

No Iraque, o Pentágono subcontratou o Lincoln Group como redactores de artigos que apresentavam nos meios iraquianos a ocupação americana de um ponto de vista favorável aos EUA, operação concebida para mascarar qualquer relação com o Exército norte-americano.

O Lincoln Group comprou estações de rádio e jornais, traduziram-se os materiais e fizeram-se passar por jornalistas independentes ou executivos da publicidade. Enquanto isto, os funcionários dos EUA dentro e fora do Iraque promoviam os «princípios democráticos», a «transparência política» e a «liberdade de imprensa».

Ainda que a própria legislação norte-americana proíba formalmente que o Exército leve a cabo operações de acção psicológica ou introduza propaganda nos meios de comunicação, militares citados pelo Los Angeles Times argumentaram que com a Internet os esforços do Pentágono estavam a fazer-se no pressuposto de que a imprensa alternativa internacional exerce uma
influência negativa nos norte-americanos e portanto que ela faz parte do seu âmbito de competência. «Já não há maneira de separar os meios de comunicação estrangeiros e nacionais. Já não existe separação nítida», disse ao Los Angeles Times um contratado privado que se dedica a operações de informação no Iraque para o Pentágono e que se negou a revelar o nome.

A USA Today dava conta en Março de 2007 de uma das estratégias favoritas da ciberguerra que já se encontrava em prática: ataques piratas contra os sítios da Internet que incomodavam o governo Bush, para o qual o Laboratório de Investigação da Força Aérea dispunha de 40 milhões de dólares.

Contudo, a jóia desta ofensiva concentrava-se desde então na criação de sítios da Internet e ciberdissidentes à medida da retórica libertária das tropas norte-americanas para justificar as suas acções bélicas.

Essa mesma publicação daría conta alguns meses depois, em Maio de 2008, que o Pentágono «está a criar uma rede mundial de sítios noticiosos da Internet em língua estrangeira, incluindo um sítio em árabe para os iraquianos, e contrata jornalistas locais para escreverem histórias sobre acontecimentos da actualidade e outros conteúdos que promovam os interesses dos EUA e
mensagens contra os resistentes».

USA Today

A USA Today acrescentava que ». Entre os sítios criados pelo Pentágono, segundo a publicação, encontram-se o sítio iraquiano www.mawtani.com, o portal para os Balcãs www.setimes.com e www.magharebia.com para a região magrebína, sustentados pelo Comando Europeu dos EUA.



"Magharebia é um sitio da Internet patrocinado pelo Depart. de Defesa dos EUA. Está concebido para informar um público internacional com um portal com uma ampla gama de informação sobre a região do Magreb". (USA Today)

Os denominadores comuns destas publicações, segundo a USA Today, são: Serem escritas por jornalistas locais contratados para elaborarem histórias que se ajustem aos objectivos do Pentágono.
Pessoal militar ou seus contratados revêem as histórias para se assegurarem que são compatíveis com esses objectivos. Os jornalistas são pagos pelo que publicam.

O diário Ya anunciava a preparação de sítios da Internet semelhantes para a América Latina, em particular um portal que correria a cargo do Comando Sul cujo nome e características se mantinha então no anonimato.

O mistério Ya está revelado: chama-se Diálogo e na sua página principal desta segunda-feira destaca a ameaça da ONU se retirar do Haiti «se não for respeitada a decisão popular» registada nas eleições. Como se sabe, os EUA fizeram o impossível para que estas eleições se realizassem num país devastado, com 250.000 mortos no terramoto do passado 21 de Janeiro que
seguramente apareceriam nos registos de votantes se tivessem sobrevivido ao sismo. Quer dizer, criaram o problema e agora este Diálogo, que na realidade parece mais um monólogo, vem mostrar-nos o gato escondido com o rabo de fora.

Comando Sul

Comando Sul é o Comando Unificado das Forças Armadas dos Estados Unidos que operam na América Latina e Caraíbas e um dos nove comandos directamente vinculados à direcção superior do Departamento da Defesa dos EUA.

Opera no raio de acção de 32 países, 19 dos quais na América Central e do Sul e resto das Caraíbas. Desde 1997, o quartel-general encontra-se na Florida.

Anteriormente, esteve desde 1947 baseado no Panamá. A sua própria história reconhece como um antecedente «glorioso» o desembarque de fuzileiros ianques nesse país nos princípios do séc. XX. O Comando Sul, conhecido também pela sigla inglesa USSOUTHCOM, converteu-se num símbolo da ingerência norte-americana na região e foi aliado das forças militares e paramilitares que tão nefasto registo de mortes, torturas e desaparecimentos deixaram nos povos latino-americanos e caribenhos ao longo de mais de um século.

Nos últimos anos, o USSOUTHCOM armou, treinou e doutrinou os exércitos nacionais para servirem os interesses dos EUA sob a sua liderança. A finalidade é evitar a utilização de tropas norte-americanas e desta forma reduzir a oposição política nos EUA.
O modelo consiste em Washington dirigir e treinar os exércitos latino americanos através de extensivos e intensivos «programas conjuntos» subcontratar empresas privadas de mercenários que proporcionam milita especializados, todos eles oficiais «reformados» do Exército norte-america (Tirado da Enciclopédia contra o Terrorismo)

* Jornalista, editora de Cubadebate

Este texto foi publicado em Cubadebate:
www.cubadebate.cu/noticias/2010/12/06/comando-sur-crea-web-para-guerra
de-informacion-en-america-latina/



Tradução: Jorge Vasconcelos

Depois do roubo da banca atravéz do crédito especulativo, o capitalismo descobriu outra forma de roubo. A especulação sobre o preço dos alimentos.

Derivados de um capitalismo à deriva

João Ferreira
09.Jan.11 :: Destaques
João Ferreira“À entrada na segunda década do século XXI, o número de seres humanos a passar fome aproxima-se dos mil milhões. (…) As razões profundas da crise alimentar encontramo-las nas contradições e nos limites intrínsecos ao modo de produção capitalista, na sua irracionalidade. A pulsão especulativa procura a todo o custo contrariar a baixa tendencial da taxa de lucro, continuando o processo de acumulação. Assim se criam activos financeiros fictícios e se alimentam bolhas especulativas, acentuando a desproporção entre os meios financeiros em circulação e base material que lhes dá suporte. Muitos dos que ganham milhões especulando com os produtos alimentares não tocam sequer num único grão de milho ou bago de arroz

À entrada na segunda década do século XXI, o número de seres humanos a passar fome aproxima-se dos mil milhões. De acordo com a FAO, 925 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer e a subnutrição contribui para mais de metade das 9,7 milhões de mortes de crianças até aos 5 anos de idade, que ocorrem por ano, nos países subdesenvolvidos. [1]

Nos últimos meses adensaram-se os receios de uma nova escalada nos preços dos bens alimentares a nível mundial, à semelhança da que conduziu à crise alimentar de 2007-2008. Ainda segundo a FAO, só durante o ano de 2008 pelo menos 40 milhões de pessoas foram levadas à fome em resultado dessa escalada.

Um relatório recente, da responsabilidade do relator especial da ONU para o direito à alimentação, aborda algumas das causas que então levaram ao aumento súbito dos preços dos produtos alimentares. [2]

Entre 2005 e 2008, o preço do milho nos mercados internacionais quase triplicou. Entre Abril de 2007 e Abril de 2008, o preço do arroz aumentou 165%. Esta variação não é explicada por alterações fundamentais na oferta ou na procura destes produtos, mas sim, fundamentalmente, pela especulação financeira exercida sobre estas mercadorias.

É certo que são diversos os factores que podem influir sobre a oferta dos bens alimentares e, consequentemente, sobre o seu preço. O aumento tendencial do preço do petróleo – uma matéria-prima essencial para a actividade agrícola – em resultado da sua progressiva e inexorável escassez, constitui um factor importante. Tal não deverá ser ignorado e esta é aliás a principal causa que alguns apontam para a recente subida dos preços de algumas mercadorias (commodities) nos mercados internacionais, incluindo de produtos alimentares como o milho e o trigo (em média, o preço das commodities subiu 25% nos últimos 6 meses). [3] Outros exemplos são a utilização crescente de terra fértil para produção não de alimentos mas de matérias-primas como biocombustíveis e a ocorrência de catástrofes naturais que destroem ou inviabilizam volumes de produção significativos.

Mas voltando à crise alimentar de 2007/08 e aos seus ensinamentos, as variações dos preços então registadas não poderão ser inteiramente explicadas senão pela especulação financeira; especulação que, tendencialmente, é (será) tanto maior quanto maior for a variabilidade e instabilidade associadas aos outros factores que influem na procura e/ou na oferta – aumentando exponencialmente os seus riscos. Vejamos o exemplo do trigo: entre Janeiro e Fevereiro de 2008, no prazo de um mês e meio apenas, o preço deste cereal aumentou 46%, descendo novamente quase outro tanto até Maio e aumentando novamente a partir daí 21% até ao início de Junho; são mudanças demasiado bruscas para poderem ser explicadas por alterações significativas na procura e/ou na oferta.

«Especulam porque está na sua natureza especular» [4]

As razões profundas da crise alimentar encontramo-las nas contradições e nos limites intrínsecos ao modo de produção capitalista, na sua irracionalidade.

A pulsão especulativa procura a todo o custo contrariar a baixa tendencial da taxa de lucro, continuando o processo de acumulação. Assim se criam activos financeiros fictícios e se alimentam bolhas especulativas, acentuando a desproporção entre os meios financeiros em circulação e base material que lhes dá suporte. Muitos dos que ganham milhões especulando com os produtos alimentares não tocam sequer num único grão de milho ou bago de arroz. A FAO estima que apenas 2% de todos os contratos de futuros resultem na entrega da mercadoria física subjacente.

Foi à medida que outras bolhas foram «secando» ou rebentando (novas tecnologias, mercado imobiliário, subprime) que os especuladores (fundos de investimento, hedge funds, fundos de pensões, grandes bancos) se concentraram nas commodities, incluindo nos produtos alimentares. Aos olhos dos especuladores, trata-se de uma bolha difícil de «secar», já que ao contrário do que sucede com outras mercadorias, mais ou menos dispensáveis, as pessoas terão sempre que comer.

A única maneira de impedir a especulação é acabar com os instrumentos que a viabilizam – nomeadamente com alguns «produtos financeiros», como os derivados OTC. Mas são as Nações Unidas, através do seu relator especial, que vêm agora reconhecer que as medidas adoptadas pela UE neste domínio estão longe de poder travar a especulação, sendo pouco mais do que uns pozinhos numa engrenagem que a UE vem dando provas de querer manter e servir…

Notas:
[1] www.wfp.org/hunger/stats
[2] www.srfood.org/index.php/en/component/content/article/894-food-commodities-speculation-and-food-price-crises
[3] www.nytimes.com/2010/12/27/opinion/27krugman.html?_r=2&hp
[4] www.avante.pt/pt/1929/pcp/111348/

* Biólogo, Deputado no Parlamento Europeu

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A revolução está fazendo o seu caminho, contra a vontade dos ditos "democratas"...

Tunísia: A lógica da revolução

por Dyab Abou Jahjah [*]

Manifestação em Marselha. A revolução tunisina continua a ditar a sua própria lógica a todos os níveis... Após tentativas de remanescentes do regime de difundirem através de várias técnicas (carros em movimento nas ruas a dispararem aleatoriamente sobre pessoas e casas, destruição de infraestrutura, etc), o povo tunisino organizou-se em comités que se disseminam por todo o país, em todo bairro e em toda cidade, começando a patrulhar as ruas e a proteger o povo. Comités populares perseguiram mesmo as milícias do velho regime e em um caso, numa troca de tiros, um deles caiu como mártir enquanto dois homens da milícia foram executados pelo povo.

Há relatos de actividade israelense na Tunísia em apoio da contra-revolução e também de infiltrados enviados da Líbia para sabotagem. Ainda não é claro se isto é um padrão ou são casos isolados.

A nível político, os remanescentes do velho regime ainda estão oficialmente no poder e estão a negociar com a falsa oposição que sempre serviu ao regime como decoração. Contudo, os comités populares, a central sindical e a oposição real estão a trabalhar para mudar isto e traduzir a revolução em efeitos políticos. Acredito que não levará muito tempo até ser traçado um caminho político rumo à preparação de eleições. É importante notar que eleições feitas em conformidade com o velho regime não produzirão mudança, de modo que a oposição real e o povo estão a exigir primeiro a mudança da constituição e então ir para eleições.

Os regimes árabes estão a ser sacudidos e os povos árabes estão eufóricos mesmo em lugares como o Oman e os Emirados. No Twitter, a juventude saudita também está a mostrar apoio à revolução tunisina e a exprimir vergonha pelo seu país tolerar a tirania. O regime egípcio adiou medidas planeadas para revogar o subsídio do estado a alguns bens de consumo básicos. Quanto a Qadafi, exprimiu o seu lamento e disse que os tunisinos deveriam ter mantido Ben Ali para sempre. Qadafi está claramente nervoso acerca de uma revolução real na fronteira líbia contrária à sua própria falsa revolução. A outro nível, a oposição egípcia agora está mais convencidas de que a resposta está na rua e nada mais. Este reviver do ideal revolucionário é universal sobre todo o mundo árabe. Na Argélia há relatos de três casos de cidadãos a atearem-se fogo, um deles confirmadamente morto. O Egipto e a Argélia parecem ser os dois países árabes em que mais repercute o que aconteceu na Tunísia.

O Hezbollah saudou a revolução tunisina e pediu a todos os líderes árabes que retirassem conclusões da mesma.

Internacionalmente, os franceses e os americanos emitiram declarações que revelam um alto nível de hipocrisia. Eles sempre apoiarem o velho regime, sabendo muito bem da sua natureza como revelou o WikLeaks , e agora não podem nos vender o seu chamado apoio às opções do povo. Eles não gostam de ver revoluções a menos que sejam orquestradas pela CIA e pelas ONGs financiadas pela CIA, como na Ucrânia, Geórgia e Líbano. Isto é uma revolução real e portanto sentem-se inquietos acerca dela.

16/Janeiro/2011


  • [*] Fundador e antigo presidente da Arab European League .

    O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/2011/jahjah160111.html e em Abou Jahjah comments


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • Podemos meter a cabeça na areia...

    Podemos meter a cabeça na areia e ignorar alternativas, mas a história não pára ou a acompanhamos ou ela segue o seu caminho independente da nossa vontade...

    Crise sistémica global

    2011: o ano impiedoso
    – o cruzamento dos três caminhos para o caos mundial

    por GEAB

    Este número 51 do GEAB assinala o quinto aniversário da publicação do Global Europe Anticipation Bulletin. Ora, em Janeiro de 2006, por ocasião do GEAB Nº 1 , a equipa de LEAP/E2020 indicava nessa altura que se iniciava um período de quatro a sete anos que seria caracterizado pela "Queda do Muro do Dólar", fenómeno análogo ao da queda do Muro de Berlim que, nos anos subsequentes, levou ao desmantelamento do bloco comunista e a seguir da URSS. Hoje, neste GEAB Nº 51 que apresenta as nossas trinta e duas previsões para o ano de 2011, calculamos que o próximo ano será um ano charneira neste processo que se estende pois de 2010 a 2013. De qualquer modo, será um ano impiedoso, porque vai marcar a entrada na fase terminal do mundo anterior à crise. [1]

    A partir de Setembro de 2008, altura em que a evidência da natureza global e sistémica da crise se impôs a toda a gente, os Estados Unidos e, por detrás deles, os países ocidentais contentaram-se com medidas paliativas que apenas serviram para mascarar os efeitos de sapa da crise nos alicerces do sistema internacional contemporâneo. 2011 vai, de acordo com a nossa equipa, assinalar o momento crucial em que, por um lado, essas medidas paliativas vão ver desaparecer o seu efeito anestesiante enquanto que, pelo contrário, vão surgir em primeiro plano com toda a brutalidade as consequências da deslocação sistémica destes últimos anos. [2]

    Em resumo, 2011 vai ser marcado por uma série de choques violentos que vão fazer explodir as falsas protecções instituídas desde 2008 [3] e que vão deitar abaixo, um após outro, os "pilares" sobre os quais assenta desde há decénios o "Muro do Dólar". Só os países, as colectividades, as organizações e os indivíduos que, de há três anos a esta parte, trataram realmente de tirar lições da crise em curso para se afastar o mais depressa possível dos modelos, valores e comportamentos anteriores à crise, atravessarão incólumes este ano; os outros vão enfileirar no cortejo de dificuldades monetárias, financeiras, económicas, sociais e políticas que o ano de 2011 nos reserva.

    Portanto, como consideramos que 2011 será globalmente o ano mais caótico desde 2006, data do início dos nossos trabalhos sobre a crise, a nossa equipa concentrou-se neste GEAB Nº 51 sobre as 32 previsões para o ano de 2011, que incluem igualmente uma série de recomendações para fazer face aos choques futuros. É pois uma carta de previsão dos choques financeiros, monetários, políticos, económicos e sociais dos próximos doze meses que este número do GEAB oferece.

    A nossa equipa considera que 2011 será o ano mais difícil desde 2006, data do início do nosso trabalho de previsão da crise sistémica, porque esta se encontra na encruzilhada dos três caminhos do caos mundial. Na ausência de um tratamento de fundo para as causas da crise, desde 2008 que o mundo apenas tem recuado para saltar melhor.

    Um sistema internacional exangue

    O primeiro caminho que a crise pode tomar para gerar um caos mundial, é muito simplesmente um choque violento e imprevisível. O estado de decrepitude do sistema internacional está neste momento tão avançado que a sua coesão está à mercê de qualquer catástrofe de monta [4] . Basta ver a incapacidade da comunidade internacional para ajudar eficazmente o Haiti ao fim de um ano [5] , dos Estados Unidos para reconstruir Nova Orleães desde há seis anos, da ONU para resolver os problemas de Darfour e da Costa do Marfim desde há uma década, dos Estados Unidos para fazer avançar a paz no Próximo Oriente, da NATO para vencer os talibãs no Afeganistão, do Conselho de Segurança para dominar as questões coreana e iraniana, do ocidente para estabilizar o Líbano, do G20 par pôr fim à crise mundial, quer financeira, alimentar, económica, social, monetária… para constatarmos que no conjunto tanto da paleta das catástrofes climáticas e humanitárias, como na das crises económicas e sociais, o sistema internacional se encontra actualmente impotente.

    Evolução mensal do índice Alimentação da FAO (2010) e dos preços dos principais géneros alimentícios (2009/2010) (base 100: média 2002-2004). Com efeito, pelo menos a partir dos meados dos anos 2000, o conjunto dos grandes actores mundiais, em cuja primeira fila se encontram, claro, os Estados Unidos e o seu cortejo de países ocidentais, só age através da comunicação e da gesticulação. Na realidade, nada mais funciona: a esfera da crise gira e todos sustêm a respiração para que ela não caia na sua casa. Mas, progressivamente, a multiplicação dos riscos e dos temas de crise transformaram a roleta do casino numa roleta russa. Para o LEAP/E2020, o mundo inteiro começa a jogar a roleta russa [6] , ou melhor, a sua versão de 2011, "a roleta americana", com cinco balas no tambor.

    A subida em espiral dos preços das matérias-primas (alimentares, energéticas [7] …) vai fazer-nos lembrar 2008 [8] . Foi com efeito no semestre anterior ao colapso do Lehman Brothers e da Wall Street que se situou o episódio precedente de pronunciadas subidas dos preços das matérias-primas. E as actuais causas são da mesma natureza que as dessa altura: uma fuga para fora dos activos financeiros e monetários a favor das colocações "concretas". Nessa altura os grandes operadores fugiram dos créditos hipotecários e de tudo o que deles dependia assim como do dólar americano; hoje fogem do conjunto dos valores financeiros e dos títulos do Tesouro [9] e de outras dívidas públicas. É pois de esperar, entre a primavera de 2011 e o Outono de 2011, uma explosão da bolha quádrupla dos títulos do Tesouro, das dívidas públicas [10] , dos balancetes bancários [11] e do imobiliário (americano, chinês, britânico, espanhol,… e do comercial [12] ; tudo isto a desenrolar-se com o pano de fundo duma guerra monetária exacerbada [13] .

    A inflação induzida pelos Quantitative Easing americano, britânico e japonês e as medidas de estímulo dos mesmos, dos europeus e dos chineses, vai ser um dos factores desestabilizadores de 2011 [14] . Voltaremos a isto com maior pormenor neste GEAB Nº 51. Mas o que já é evidente no que se refere ao que se passa na Tunísia [15] , é que este contexto mundial, nomeadamente a subida dos preços dos géneros alimentícios e da energia, desemboca daqui para a frente em choques sociais e políticos radicais [16] . A outra realidade que o caso tunisino revela, é a impotência dos "padrinhos" franceses, italianos ou americanos para impedir o colapso de um "regime amigo" [17] .

    Impotência dos principais actores geopolíticos mundiais

    E esta impotência dos principais actores geopolíticos mundiais é o outro caminho que a crise pode utilizar para gerar um caos mundial em 2011. Com efeito, podemos classificar as principais potências do G20 em dois grupos cujo único ponto em comum é que não conseguem influenciar os acontecimentos de modo decisivo.

    De um lado temos o Ocidente moribundo com os Estados Unidos, por um lado, onde o ano de 2011 vai demonstrar que a liderança não passa duma ficção (ver neste GEAB Nº 51) e que tentam cristalizar todo o sistema internacional na sua configuração do início dos anos 2000 [18] ; e depois temos a Eurolândia, "soberana" em gestação que está actualmente concentrada sobretudo na adaptação ao seu novo ambiente [19] e ao seu novo estatuto de entidade geopolítica emergente [20] e que portanto não tem nem a energia nem a visão necessárias para ter peso nos acontecimentos mundiais [21] .

    E do outro lado, encontramos os BRIC (em especial a China e a Rússia) que se mostram incapazes neste momento de assumir o controlo de todo ou parte do sistema internacional e cuja única acção se limita pois a minar discretamente o que resta dos alicerces da ordem anterior à crise [22] .

    No final das contas, é pois a impotência que se generaliza [23] ao nível da comunidade internacional, reforçando não só o risco de choques importantes, mas igualmente a importância das consequências desses choques. O mundo de 2008 foi apanhado de surpresa pelo choque violento da crise, mas paradoxalmente o sistema internacional estava mais bem equipado para reagir porque estava organizado em volta de um líder incontestado [24] . Em 2011, isso já não acontece: não só já não há um líder incontestado, mas o sistema está exangue como se viu anteriormente. E a situação ainda se agravou mais pelo facto de as sociedades de um grande número de países do planeta estarem à beira da rotura sócio-económica.

    'Evolução do preço da gasolina nos Estados Unidos (2009-2011).

    Sociedades à beira da rotura sócio-económica

    É em especial o caso nos Estados Unidos e na Europa onde três anos de crise começam a ter um forte peso na balança sócio-económica, e portanto política. Os lares americanos actualmente insolventes em dezenas de milhões oscilam entre a pobreza sofrida [25] e a raiva anti-sistema. Os cidadãos europeus, encurralados entre o desemprego e o desmantelamento do Estado-providência [26] , começam a recusar-se a pagar as facturas das crises financeiras e orçamentais e tratam de procurar os culpados (a banca, o euro, os partidos políticos dos governos…).

    Mas, também no seio das potências emergentes, a transição violenta que a crise constitui conduz as sociedades para situações de rotura: na China, a necessidade de controlar as bolhas financeiras em desenvolvimento choca com o desejo de enriquecimento de sectores inteiros da sociedade e com a necessidade de emprego para dezenas de milhões de trabalhadores precários; na Rússia, a fraqueza do tecido social tem dificuldade em aceitar o enriquecimento das elites, tal como na Argélia agitada por motins. Na Turquia, no Brasil, na Índia, por toda a parte, a transição rápida que esses países experimentam desencadeia motins, protestos, atentados. Por razões perfeitamente antinómicas, para umas o desenvolvimento, para outras o empobrecimento, um pouco por toda a parte no planeta, as nossas diferentes sociedades entram em 2011 num contexto de fortes tensões, de roturas sócio-económicas que as transformam em barris de pólvora políticos.

    É a sua posição na encruzilhada destes três caminhos que torna pois 2011 um ano impiedoso. E impiedoso será para os Estados (e para as colectividades locais) que optaram por não aprender as difíceis lições dos três anos de crise que precederam e/ou que se contentaram com mudanças cosméticas que não modificaram em nada os seus desequilíbrios fundamentais. Sê-lo-á também para as empresas (e para os Estados [27] que acreditaram que a melhoria de 2010 era sinal dum regresso "à normalidade" da economia mundial. E finalmente sê-lo-á para os investidores que não compreenderam que os valores de ontem (títulos, moedas…) não podiam ser os de amanhã (pelo menos por mais anos). A História geralmente é uma "boa rapariga". Frequentemente dá um tiro de aviso antes de varrer o passado. Desta vez deu o tiro de aviso em 2008. Prevemos que em 2011 dará a varridela final. Só os actores que tentaram, mesmo com dificuldades, mesmo parcialmente, adaptar-se às novas condições geradas pela crise se poderão aguentar; quanto aos outros, o caos espera-os no fim do caminho.

    Notas:

    [1] Ou do mundo tal como o conhecemos desde 1945, para retomar a nossa descrição de 2006.

    [2] A recente decisão do ministério do Trabalho americano de alargar a cinco anos a medição do desemprego de longa duração nas estatísticas de emprego americanas, em vez de um máximo de dois anos como até agora, é um bom indicador da entrada numa nova etapa da crise, uma etapa que vê desaparecer os "hábitos" do mundo anterior. De resto, o governo americano cita "a subida sem precedentes" do desemprego de longa duração para justificar esta decisão. Fonte: The Hill , 28/12/2010.

    [3] Estas medidas (monetárias, financeiras, económicas, orçamentais, estratégicas) estão a partir de agora estreitamente ligadas. É por isso que serão atingidas numa série de choques sucessivos

    [4] Fonte: The Independent , 13/01/2011

    [5] Ainda é pior, visto que foi a ajuda internacional que levou para a ilha a cólera que já fez milhares de mortos.

    [6] De resto, Timothy Geithner, o ministro americano das Finanças, pouco conhecido pela sua imaginação transbordante, acaba de indicar que "o governo americano podia ter que fazer de novo coisas excepcionais", referindo-se ao plano de salvamento dos bancos de 1008. Fonte: MarketWatch , 13/01/2011

    [7] De resto, a Índia e o Irão estão em vias de preparar um sistema de câmbio "ou contra petróleo" para tentar evitar roturas de abastecimento. Fonte: Times of India , 08/01/2011.

    [8] O índice FAO dos preços alimentícios acaba de ultrapassar, em Janeiro de 2011 (com 215) o seu anterior recorde de Maio de 2008 (com 214).

    [9] Os bancos da Wall Street estão actualmente a desembaraçar-se a grande velocidade (sem equivalente desde 2004) dos seus Títulos do Tesouro americanos. A explicação oficial é "a notável melhoria da economia dos EUA que já não justifica refugiarem-se nos Títulos do Tesouro". Bem entendido, têm toda a liberdade de acreditar nisso, como acontece com o jornalista da Bloomberg de 10/01/2011.

    [10] Assim, a Eurolândia avança já a grandes passadas pelo caminho descrito no GEAB Nº 51 de um corte no caso do refinanciamento das dívidas de um Estado membro; enquanto que daqui para a frente as dívidas japonesa e americana se apressam a entrar na borrasca. Fontes: Bloomberg , 07/01/2011; Telegraph , 05/01/2011.

    [11] Calculamos que, de modo geral, os balanços dos grandes bancos mundiais contêm pelo menos 50% de activos fantasmas em que o ano que entra vai impor um corte de 20% a 40% provocado pelo regresso da recessão mundial com a austeridade, pela subida dos incumprimentos dos empréstimos da habitação, das empresas, das colectividades, dos Estados, das guerras monetárias e do regresso da queda do imobiliário. Os "stress-tests" americano, europeu, chinês, japonês ou outros bem podem continuar a tentar tranquilizar os mercados com cenários "cor-de-rosa", só que este ano o que está no programa dos bancos é um "filme de terror". Fonte: Forbes , 12/01/2011.

    [12] Cada um destes mercados imobiliários vai continuar a baixar fortemente em 2011 para os que já iniciaram a sua queda nos últimos anos ou, no caso chinês, vai iniciar o seu esvaziamento brutal num fundo de abrandamento económico e de rigor monetário.

    [13] A economia japonesa é de resto uma das primeiras vítimas desta guerra das divisas, com 76% dos chefes de empresas das 110 maiores sociedades nipónicas sondadas pelo Kyodo News a declararem-se pessimistas quanto ao crescimento japonês em 2011 na sequência da subida do iene. Fonte: JapanTimes , 04/01/2011.

    [14] Eis alguns exemplos edificantes reunidos pelo excelente John Rubino. Fonte: DollarCollapse , 08/01/2011

    [15] Lembramos que, no GEAB Nº 48 , de 15/10/2010, classificámos a Tunísia entre os "países de alto risco" para 2011.

    [16] De resto, não há qualquer dúvida de que o exemplo tunisino gera uma onda de reavaliação entre as agências de classificações e os "especialistas em geopolíticas" que, como de costume, não previram o futuro. O caso tunisino ilustra igualmente o facto de que, a partir de agora, são os países satélites do Ocidente em geral, e dos Estados Unidos em particular, que estão na via dos choques de 2011 e dos próximos anos. E confirma o que temos vindo a repetir regularmente, uma crise acelera todos os processos históricos. O regime Ben Ali, velho de vinte e três anos, desmoronou-se em poucas semanas. Quando está presente a obsolescência política, tudo vacila rapidamente. Ora é o conjunto dos regimes árabes pró-ocidentais que já está obsoleto, à luz dos acontecimentos na Tunísia.

    [17] Sem dúvida que esta paralisia dos "padrinhos ocidentais" vai ser cuidadosamente analisada em Rabat, no Cairo, em Djeddah e em Aman, por exemplo.

    [18] Configuração que lhes era a mais favorável visto que sem contrapeso quanto à sua influência.

    [19] Aqui voltaremos com maior pormenor neste número do GEAB, mas do ponto de vista da China, não há engano possível. Fonte: Xinhua , 02/01/2011

    [20] Pouco a pouco os europeus descobrem que estão dependentes de outros centros de poder para além de Washington: Pequim, Moscovo, Brasília, Nova Delhi,… entram muito lentamente na paisagem dos parceiros essenciais. Fonte: La Tribune, , 05/01/2011; Libération , 24/12/2010; El Pais , 05/01/2011

    [21] Toda a energia do Japão está concentrada na sua tentativa desesperada de resistir à atracção chinesa. Quanto aos outros países ocidentais, não estão em condições de influenciar significativamente as tendências mundiais.

    [22] O lugar do dólar americano no sistema mundial faz parte desses últimos alicerces que os BRIC corroem activamente dia após dia.

    [23] Em matéria de défice, o caso americano é exemplar. Para além do discurso, tudo continua como antes da crise com um défice em aumento exponencial. No entanto, até o próprio FMI toca a sineta de alarme. Fonte: Reuters , 08/01/2011

    [24] De resto, o próprio Market Watch de 12/01/2011, fazendo-se eco do Fórum de Davos, inquieta-se com a ausência de coordenação internacional, que só por si é um enorme risco para a economia mundial.

    [25] Milhões de americanos recorrem aos bancos alimentares pela primeira vez na sua vida, enquanto que na Califórnia, como em muitos outros estados, o sistema educativo se desagrega rapidamente. No Illinois, os estudos sobre o défice do Estado comparam-no agora ao Titanic. 2010 bate o recorde das penhoras imobiliárias. Fontes: Alternet , 27/12/2010; CNN , 08/01/2011; IGPA-Illinois , 01/2011; LADailyNews , 13/01/2011

    [26] A Irlanda, que enfrenta uma reconstrução pura e simples da sua economia, é um bom exemplo de situações futuras. Mas, a própria Alemanha, embora com resultados económicos notáveis actualmente, não escapa a esta evolução, como demonstra a crise do financiamento das actividades culturais. Enquanto que no Reino Unido, milhões de pensionistas vêem as suas receitas amputadas pelo terceiro ano consecutivo. Fontes: Irish Times , 31/12/2010; Deutsche Welle , 03/01/2011; Telegraph, 13/01/2011

    [27] Sobre este assunto, os dirigentes americanos confirmam que esbarram direitinhos contra o muro das dívidas públicas, por não se terem previsto as dificuldades. Com efeito, a recente declaração de Ben Bernanke, o patrão do FED, em que afirma que o Fed não ajudará os Estados (30% de redução nas receitas fiscais em 2009, segundo o Washington Post de 05/01/2011) nem as cidades que sucumbem sob o peso das dívidas, assim como a decisão do Congresso de suspender a emissão das "Build American Bonds" que evitaram que os Estados fossem à falência nos últimos dois anos, ilustram a cegueira de Washington que só tem equivalente com a que deu provas em 2007/2008 perante a subida das consequências da crise dos "subprimes". Fontes: Bloomberg , 07/01/2011; WashingtonBlog 13/01/2011

    15/Janeiro/2011

    O original encontra-se em www.leap2020.eu/ . Tradução de Margarida Ferreira.

    Este comunicado público encontra-se em http://resistir.info/ .